

Imagine que o um partido tenha dois políticos cujos perfis, região de origem e público-alvo sejam exatamente os mesmos. O que aconteceria se os dois concorressem ao mesmo cargo? Provavelmente, uma trombada da qual é provável que nenhum deles saia vivo. Foi o que quase aconteceu com Alceu Moreira e Eliseu Padilha, do PMDB.
Esse, era o grande favorito entre os dois, mas sofreu a zebra.
Esse teve muito mais sorte do que juízo.Eu considerava o deputado federal Eliseu Padilha um candidato com a vitória certa nas mãos, um político "inderrotável", mestre na arte de fazer votos. Em grande parte, porque o PMDB é um partido muito grande, de políticos muito pragmáticos, que não metem os pés pelas mãos.
Só que, nestas eleições, o PMDB gaúcho fez uma burrada homérica. Lançaram-se candidatos a Federal, Eliseu Padilha com uma reeleição aparentemente tranqüila, e Alceu Moreira, tentando dar o "pulo" da Assembléia para o Congresso. Ambos oriundos do litoral, com o mesmo perfil e o mesmo tipo de eleitor. Acabaram roubando votos um do outro, dividindo seus eleitorados, e quase ficam, ambos, sem mandato.
Na verdade, não foi bem uma burrada estratégica e sim uma embolada que o partido deu na escolha do seu candidato ao Senado. O Eliseu Padilha vinha afirmando que concorreria a senador, e por isso o Alceu Moreira passou a trabalhar para ser deputado federal, pegando exatamente o mesmo eleitorado que, antes, era do Padilha. Só que no final, o Rigotto não se lançou para Presidente, e nem para governador, e então o partido o colocou para concorrer ao Senado. Ao Padilha, não sobrou opção que não voltar atrás. E aí veio a embolada com o Alceu.
Numa metáfora rodoviária, posso dizer assim: o Padilha deu sinal de luz e começou a trocar de pista. Nisso, o Moreira acelerou para pegar o espaço dele. Mas o Padilha voltou bruscamente, e aí, foi aquele acidente medonho.
Mesmo sabendo que o Alceu roubaria alguns votinhos do Padilha, eu esperava uma vitória fácil deste último. Mas o que aconteceu foi o contrário: o Moreira entrou na última vaga do PMDB na Câmara (ali ali), e o Padilha ficou com a primeira suplência. Uma zebra incrível!

